Entrevista – Arivelto Fialho – Livros sobre SolidWorks

Senhores,

Passou o carnaval e minha folga… Agora é retornar as postagens do Blog como eu tinha prometido a todos. Como fazia um certo tempo que eu tinha entrevistado o Cilas Gimenez, resolvi entrevistar o Autor de dois livros sobre SolidWorks, o Arivelto Fialho.

Seguem abaixo os links para as postagens sobre os livros dele que fiz aqui no Blog

SolidWorks Office Premium 2008 – Teoria e Prática no Desenvolvimento de Produtos 

COSMOS (COSMOSWorks, COSMOSMotion, COSMOSFlowWorks) – Plataforma CAE do SOLIDWorks

Acabamos nos conhecendo bem por acaso, uma vez me mostraram o livro dele no Cefet de Araranguá, achei legal e escrevi sobre ele aqui. Em seguida, O Albert das comunidades SolidWorks BR e a SolidWorks Total me apresentou a pessoa. Seguidamente nos encontramos on-line e trocamos algumas idéias sobre a comunidade de usuários brasileiros de SolidWorks, as comunidades do Orkut e sobre os livros dele. Conheçam um pouco da história dele logo abaixo

Quando e como começaste a utilizar o SolidWorks?

Em fins de 2006 eu estava recuperando-me de três fraturas graves no tornozelo esquerdo e envolvido com o projeto de meu 5º livro cujo tema era o software produzido pela PTC – Parametric Tecnology Corporation, que sabemos principal concorrente do SolidWorks aqui no Brasil, pois eu houvera anteriormente apresentado a minha editora, a Editora Érica em São Paulo, projeto para um livro sobre o SolidWorks 2007, porém, segundo informe da gerência de minha editora, a direção da SolidWorks Brasil vetou a possibilidade da realização do projeto. Assim, meio inconformado, sedento por escrever (escrever para mim é quase compulsivo), e após verificar a inexistência de literatura técnica, no Brasil, do referido concorrente resolvi aprende-lo e tomei como um grande desafio produzir essa literatura.

Não havia ainda concluído o projeto quando um dileto amigo e dono de uma das revendas da SolidWorks aqui no RS de quem não tinha noticias a mais de cinco anos, desde os tempos da pós-graduação no PROMEC da UFRGS, ligou-me. Em meio a conversas estendeu-me convite a integrar sua equipe de profissionais. Notifiquei-o então de minha condição quanto à dificuldade de locomoção, gravidade do ferimento e projeto literário em curso. Mas devido sua urgência na complementação de seu quadro, pois o profissional responsável pela plataforma do COSMOS estava em vias de transferir-se para São Paulo e integrar os quadros da GM. Resolvi então aceitar o desafio bem como oportunidade de mais um aprendizado, e mesmo com dificuldades (usava muletas), eram duas horas de viagem de minha casa até a empresa e sentia ainda muita dor. Juntei-me a equipe. O ponto curioso disto é que nunca tinha utilizado o SolidWorks, tanto que para escrever o livro teria que encarar o desafio de aprendê-lo. Tinha vasta experiência com o AutoCAD e inclusive já publicara em 2004 o livro AutoCAD 2004 – Teoria e prática 3D no desenvolvimento de produtos industriais, além, é claro, da plataforma CAD/CAE/CAM que havia a pouco aprendido e dominado com certa destreza e que era tema do livro que estava em curso. Mas o convite de meu amigo era fundamentado no fato que nossa pós-graduação fora em Mecânica dos Sólidos. Em outras palavras, uma dos focos de estudo é justamente a Análise por Elementos Finitos. Assim, eu conhecia a teoria, e a prática no COSMOS seria correr atrás (risos).

Fiquei então como responsável pela plataforma COSMOS e como já referido, tive que correr atrás para aprender a usar, aprender as demonstrações para reproduzi-las aos potenciais clientes, e inclusive, ministrar cursos.

Logo nos primeiros dias na empresa participei do curso básico de SolidWorks, ministrado por um outro colega e um mês depois já ministrava meu primeiro curso básico. Neste ínterim ocorreu um fato bastante interessante, pois acabará de lançar o livro que estava escrevendo e para minha surpresa, o editor da revistas IPESI Mecânica contatou-me oferecendo três páginas para eu escrever um artigo sobre o livro. O problema enfrentado foi então escrever um artigo de três páginas promovendo meu livro cujo tema era o software concorrente e estar trabalhando junto a uma das revendas da SW. Mas graças ao bom Deus e minha boa perícia com as palavras consegui escrever o artigo sem ficar em posição demeritória.

Permaneci alguns meses na empresa deste dileto amigo. Tempo em que ministrei mais dois cursos básicos e inclusive meu primeiro curso de COSMOS para cinco engenheiros de uma empresa do interior e fiz ainda uma exposição de COSMOS na Universidade de Caxias do Sul para uma turma do curso de engenharia. Depois que saí da empresa ainda ministrei mais dois cursos de SolidWorks básico para eles. É que havia demanda e os profissionais da empresa estavam sobrecarregados. Em resumo Kastner. Foi assim que aprendi e comecei a utilizar o SolidWorks.

Como surgiu a idéia dos livros? Qual foi o primeiro?

Eu lecionava diversas disciplinas no Curso de Automação Industrial de uma escola técnica em Porto Alegre. Lecionava Desenho Técnico, AutoCAD, Informática, Sistemas Hidráulicos & Pneumáticos, e teoria mecânica, além de coordenador de projetos de conclusão. Houve então uma reformulação na grade curricular do curso para adaptar-se a nova carga horária imposta pela lei e eu que tinha 30h/aula na semana fiquei com apena 4h. Isso foi em 1999.

Precisei então retornar ao circuito industrial dirigindo o depto técnico de uma pequena empresa de equipamentos científicos e pedagógicos, mas em menos de um ano as dificuldades financeiras da mesma obrigou-me a buscar novas soluções e tentei então, em parceria com outro amigo, também professor da mesma escola em que atuava ministrar cursos e consultorias. Área que sabemos extremante sensível às sazonalidades. E poucos meses depois e com alguns cursos ministrados finalmente chegou à dita sazonalidade e eu me vi obrigado a buscar novas soluções. Foram meses batendo de porta em porta em busca do retorno ao circuito industrial, o que me levou a beira de algumas crises de auto-estima, pois com todo o conhecimento que tinha nada conseguia. Foi então, que remexendo minhas anotações de ex-professor encontrei um das apostilas que eu havia criado para meus alunos de Sistema Hidráulicos. Naquele instante senti como se algo me disse-se que deveria ampliá-la, reescrevê-la em forma de livro. Eu sabia que seria um projeto interessante de abraçar porque até então não existia nenhum livro com razoável abordagem técnica e excelente didática sobre esse assunto e que fosse destinado às escolas técnicas e universidades. Somente havia um livro já esgotado que fora produzido por uma empresa fabricante de equipamentos hidráulicos, mas que em minha opinião nada didático, e outro traduzido para o português, porém, excessivamente teórico. Escrevi os dois primeiros capítulos e então foi que me caiu a ficha de que teria o problema de descobrir como publicar um livro nessa área sem ter recursos financeiros para isso. Novamente não sei explicar como, mas naquele mesmo dia, horas depois, navegando pela internet resolvi entrar no site de minha atual editora, e para minha surpresa lá estava escrito em um determinado campo de acesso… “Torne-se um de nossos autores”. Bem! Compactei meus dois capítulos e enviei para editora. Três semanas depois recebi um e-mail da gerente de produção Rosana A. Silva pedindo-me mais detalhes, projeto do livro e quando poderia enviar mais capítulos. Assim, cinco meses depois de intenso trabalho estava sendo publicado meu primeiro livro; “Automação Hidráulica – Projeto, Dimensionamento e Análises de Circuitos” que para minha felicidade e de todos os leitores, já está em sua 5ª Edição.

Mal estava escrevendo o último capítulo dele e já começara a pensar e visualizar o segundo livro que venho a ser o livro “Instrumentação Industrial – conceito, aplicações e análises”. Também considerado até hoje impar no assunto e já na 6ª edição. E como terceiro livro, com apenas 15 dias de descanso do término do segundo, escrevi e publiquei em mais cinco meses “Automação Pneumática – Projeto, Dimensionamento e Análises de Circuitos”, também na 6ª edição. Essas três primeiras obras têm sido hoje largamente utilizadas nos cursos técnicos e de engenharia pelo país todo. Além de referência bibliográfica em ementa de concursos e cursos de pós-graduação. É só pesquisar na internet.

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Qual foi a repercussão dos livros da Família SolidWorks? Poderia também descrevê-los um pouco?

Ahh!! Essa história é interessante. Curiosamente, passado algum tempo da publicação de meu artigo na citada revista e já não mais trabalhando junto à revenda de meu amigo. A Rosana, gerente de produção da Editora, contatou-me perguntando se ainda tinha o interesse no projeto do livro de SolidWorks. É claro que sim… Principalmente porque já havia então utilizado-o e conseguido bem mais perceber suas potencialidades como ferramenta de projeto, além é claro da interface super amigável, ainda mais quando comparado a da plataforma de meu livro anterior, que é boa, mas parece que a SW tem se saído melhor.

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Remodelei o projeto que estimei em 14 capítulos, porém, insuficiente para abarcar tudo que desejava, e enviei para editora. Não é preciso dizer que teve aprovação imediata. Como todos os outros anteriores, trabalhei exaustivamente e conforme finalizava os capítulos, enviava para editora para as devidas formatações e correções ortográficas, verificação de estrutura dos textos, etc. Certamente o Depto de Marketing da editora já começara a partir do que tinha em mãos a contatar os potenciais clientes, como diversas escolas que trabalham com o software. E ao que parece despertou muito interesse. Estávamos então com todo um calendário de tarefas definido, principalmente porque esses clientes desejavam já iniciar o ano de 2008 com o livro a disposição dos alunos. Mas, por descuido meu numa noite de novembro de 2007, enquanto dormia, recebi em meu apartamento a desagradável visita de um “ilustre ladrão” que levou não apenas o meu talão de cheques, celular e a câmara fotográfica digital. Levou também meu projeto do livro, pois o mesmo estava dentro de meu Notebook. Estava escrevendo ainda o penúltimo capítulo. Por sorte os anteriores já haviam sido enviados para editora. Esse pequeno contratempo atrasou o projeto em mais de um mês, pois a configuração de Notebook era especial e o Desktop que utilizei para finalizar o livro tinha apenas 512MB da memória em relação aos 2GB do outro. Sem contar que eu não havia feito back up do capítulo, ou seja, tive de reescreve de memória cerca de 40 páginas e recriar todas as ilustrações. Mas deu tudo certo. Os clientes que aguardavam entenderam a situação que me ocorrera e até onde sei estão todos satisfeitos com a obra que tem em mãos. Finalmente depois foi possível adquirir um novo Notebook hoje com 4GB de RAM que foi muito útil no livro seguinte, o de COSMOS.

Seguidamente recebo por parte de leitores e-mails elogiando a organização e estrutura didática do livro, bem como o quanto aprenderam e tem aprendido com seu uso diário. Na verdade essa foi minha preocupação não apenas nesse livro, mas em todos os outros anteriores. A de que eu preciso me ver na posição do estudante que pouco ou nada sabe e precisa aprender daquilo que lê. Não é uma tarefa simples, pois tendemos a sempre pressupor que estamos sendo claros na exposição de nossos pensamentos. Porém, esquecemos que nosso grau de percepção é relativo a todo conjunto de conhecimentos que já adquirirmos.

Quanto à estrutura do livro, já referi que não abarca tudo que gostaria, porém, atende ao novo usuário que deseja ou necessita aprender a usar o software, mas não dispõem de recursos financeiros para fazer todos os cursos oferecidos pelas revendas. E embora que a relação de investimentos seja bem menor na aquisição de uma obra destas, o custo final deste tipo de obra que transmite informação técnica de excelente nível ainda é alto aqui no Brasil, e é por isso que meu novo desafio neste dias tem sido a transposição do livro para a versão 2009, incluindo boa parte das novidades e ainda reduzindo pelo menos cerca de 100 páginas.

Como está a receptividade no mercado para o livro de Cosmos?

Bem Kastner, os que conhecem as potencialidades desta formidável ferramenta durante o processo de desenvolvimento de um projeto, bem como otimização e elevação do nível de qualidade do mesmo, tem consciência que o investimento na tecnologia e no conhecimento é imprescindível para manter-se hoje no mercado de transformar necessidades em idéias e estas em produtos.

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A plataforma CAE do Cosmos, hoje Simulation, traz para grande parte da indústria o nível de tecnologia necessária as simulações e análises de seus projetos, entretanto, é necessário romper algumas barreiras, e a principal delas é o preconceito ao novo. É comum, profissionais de projeto dizer… “eu sempre projetei assim… sempre usei esses mesmos formulários e tabelas e tudo funcionou”… Ou gerentes financeiros vetarem a aquisição da licença por não compreenderem bem a relação de Causa e Efeito proporcionado por essa ferramenta.

O Livro de Cosmos vem com o propósito de trazer um pouco mais de luz àqueles que já adquiriram a licença, mas pouco a utilizam por não terem ainda feito um curso e que seja bem ministrado, o que é um desafio e tanto, pois como relatei, ministrei um curso de cosmos para 5 engenheiros que mesmo, com toda a didática que usei, sentiram certa dificuldade. O livro vem também a auxiliar no estudo daquele profissional, que bem sabemos, e não adianta “taparmos o sol com a peneira”, tem sua cópia ilegal em casa e a utiliza para aprimorar seus estudos. O que vejo como positivo.

Dos e-mails que tenho recebido de leitores, verifiquei basicamente dois grupos deles. Uns que acharam que o livro tem muita teoria (ele realmente é teórico prático) e um tanto complexo, e outros que elogiaram justamente por esse quesito. Do primeiro grupo de leitores percebi que boa parte quer usar o programa sem nem ao menos tentar entender o “Por quê?” das coisas. E do segundo grupo, percebi ser composto por profissionais acadêmicos ou já formado em engenharia e com interesses muito específicos na aplicação deste tipo de ferramenta, e mais dados aos desafios do aprendizado. Considerando ainda que muitas empresas tenham seus quadros de projetistas compostos em grande parte por técnicos de nível médio e muitos deles pouco dados ao aprofundamento dos estudos, penso que há, portanto, ainda um longo caminho de informação e formação a ser trabalhada, e é nesse ponto que o livro de Cosmos tem tentado contribuir.

A editora tem monitorado o nível de aceitação com base nas vendas, mas não tenho esse dado. Estou também começando o projeto do livro de Simulation que deixei em compasso de espera enquanto finalizo o de SolidWorks 2009.

E o Orkut? Tem como descrever as comunidades relacionadas a SolidWorks e a sua participação?

Como vemos quando acessamos o Orkut, há um grande numero de comunidades. Algumas inclusive internacionais. Pessoalmente faço parte de algumas delas e atualmente dirijo a comunidade SOLIDWORKS TOTAL, formada a partir da migração de membros da então famosa comunidade SolidWorks Br. Mas continuamos a dar suporte na comunidade anterior, apenas, nessa nova comunidade, tornamo-nos mais seletivos com relação aos tópicos e membros. Pois o principio da moral e boa conduta deve estar presente em todos os aspectos de nossas vidas e é isso que nos dá credibilidade.

Ao que verifico, temos dado excelente contribuição aos usuários do SolidWorks, acredito que muitas vezes corremos lado a lado com o Suporte Técnico das revendas e em nada deixamos a desejar. Na comunidade temos usuários de todos os tipos… Alguns neófitos, e outros, verdadeiros mestres no uso dos diversos suplementos. Temos funcionários da SW, das revendas… Somos observados diariamente…

Aceitei estar à frente da comunidade porque acredito nas potencialidades desta plataforma e acredito que podemos ajudar a disseminar o conhecimento que não pertence e não é exclusividade de ninguém. E se expandirmos nossa visão, verá que estamos colaborando, e muito, com a divulgação do software. Uma espécie de propaganda gratuita cujo retorno em vez de financeiro para nós, dá-se pela gratidão dos que ficam satisfeitos ao serem auxiliados. Criei também uma comunidade para o meu livro de SolidWorks e uma outra para meu livro de Cosmos. Em ambas procuro ajudar a sanar as duvidas dos leitores sempre que possível. E também estamos sempre abertos a sugestões de melhoria.

Recado Final (sinta-se a vontade para deixar algum comentário)

Para mudar um pouco o foco, em verdade expandi-lo mais ainda, vou reproduzir aqui o pequeno texto que utilizei na mensagem de abertura do meu livro Cosmos e que traduz muito bem a experiência que tenho vivido desde que resolvi voltar-me a produção da literatura técnica e empenhado-me tanto quanto possível.

“Quando a pessoa não está empenhada há hesitação, possibilidade de recuo e, sempre, ineficácia. No que diz respeito a toda iniciativa (e criação), há uma verdade elementar, cujo desconhecimento desperdiça incontáveis idéias e planos esplêndidos: a de que, no momento em que o indivíduo se empenha definitivamente, a Providência também começa a agir. Todo o tipo de coisa acontece em seu benefício, coisas que, de outro modo, nunca teriam ocorrido. Todo um fluxo de acontecimentos brota dessa decisão e ocasiona, em favor do individuo, toda a sorte de incidentes, de ajuda material e de encontros imprevistos, os quais nenhum homem poderia sonhar que ocorreriam dessa maneira. Aprendi a ter um profundo respeito por uma das máximas de Goethe: “Dê inicio a tudo o que você julgar que pode fazer. A audácia traz em si o talento, o poder e a magia. ””

– W. H. Murray, The Scottish Himalayan Expedition

Meu grande abraço a todos que meu leitores ou não, tem visitado este excelente Blog, e a você também meu amigo Kastner.

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